Dossiê de Inclusão
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
Licenciatura em Pedagogia a Distância
Anos Iniciais do Ensino Fundamental PEAD
Pólo Gravataí - Eixo VI
Disciplina: Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais
Professor: Daniela Corte RealTutores: Fernanda e Janaína Siviero Ribeiro Aluna: Ione Fernandes
E-Mail: ioneferufrgs@gmail.com
Unidade 1
Relato de Experiência com Educação Especial e com Inclusão
Pessoas com necessidades educacionais especiais
Educação Especial
”Chegou o tempo em que a sociedade começou a repensar e olhar os alunos PNEE sob um diferente paradigma. Congressos internacionais patrocinados pela UNESCO estabeleceram os fundamentos de ma política educacional mundial, menos excludente e mais inclusiva, lançando os seguintes documentos mundiais: Convenção de Direitos da Criança (1988). Declaração sobre educação para todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994). A partir, dos princípios de reformulação do sistema de ensino como um todo, o movimento de educação para todos tornou-se discussão mundial e desencadeou uma verdadeira revolução educacional. Estes documentos mundiais enfatizam a inclusão social como a forma mais efetiva da implantação da Educação Inclusiva”.
Minha Sobrinha
Relato de Experiência com Inclusão.
As participações nos fóruns e leituras como o histórico da Educação Especial, senti a necessidade de relatar a experiência que vivo diariamente. Vou tentar relatar alguns dos muitos momentos passados e presentes pelos quais vivencio ao lado de uma pessoa maravilhosa que faz parte da minha vida, incondicionalmente.
Foi extremamente delicado o momento em que minha irmã deu a luz a uma menina, que desde as primeiras horas de vida já demonstrou sinais de que algo não estava bem, como o normal, com bolhas de ar no pulmão, como o médico havia diagnosticado. Já no primeiro dia foi internada no hospital da PUC e a mãe permaneceu no hospital Dom Joaquim em GVÍ. Com o passar do tempo foi se observando que a menina não desenvolvia como normalmente se constata na maioria das crianças. Então passado alguns dias foi levada a um médico especialista que constatou através de exames que ela possuía Micro Cefalia (cérebro pequeno). No início foi um choque para a família, mas logo foi aceita e coberta de atenções e carinho por todos familiares e conhecidos. Assim foi passando o tempo e a menina se desenvolvendo vagarosamente com muita dificuldade. Quando completou um ano, era visível sua “diferença” em relação às crianças de sua idade. Então foi aconselhada a freqüentar uma escola especial em Porto Alegre, que oferecia psicóloga, natação, e uma série de atividades que estimularia seus sentidos. Só porque não aconteceu o prometido pela escola. A professora na época obrigava a menina executar atividades sem nenhuma didática e carinho com a mesma. Houve rejeição por parte da menina em não querer mais freqüentar a escola. Para os pais coube reivindicar direitos da filha o que não houve retorno, sem o mínimo de consideração e respeito as reivindicações. Foi grande a decepção ao verificar que a menina estava sofrendo descriminação, não havendo integração entre os alunos que deveriam ser inclusos, na essência da palavra. Depois do episódio bastante desagradável mudaram-se para SC, onde eu também residia . Aí foi o ápice em seu desenvolvimento, (com cinco anos de idade + ou -), avançando na aprendizagem em geral: a fala ficou mais clara, desenvolveu a noção de espaço, lateralidade, tamanho, reconhecendo e pronunciando nome de objetos , pessoas, animais etc. É muito inteligente e esperta, não passa nada desapercebido aos seus olhos e ouvidos principalmente. Identifica todas as pessoas com quem convive. Sabe o parentesco de cada um e sabe dizer o que um é do outro. Cria personagens imaginários como o MARIO e é apaixonada por Sônia Abrão (trabalha na TV) e fala com eles como se fosse ao vivo e a cores.
E o tempo foi se encarregando de abafar, vamos dizer assim, a idéia de retorno da menina à escola. Passaram-se alguns longos anos, e voltamos a residir em Gravataí no mesmo lugar. Até que houve uma pressão da família (a menina então com 15 anos) em relação a volta da mesma à escola novamente. Então desde 2007 ela freqüenta com sucesso a APAI de GVÍ. Houve um crescimento visível em suas habilidades e atitudes, como por exemplo, ela não podia ouvir música e hoje ouve com atenção e alegria, participa ouvindo e batendo palma quando alguém esta aniversariando, sobe e desce escadas normalmente (...)
Claro que esta mesma escola tem que haver muitas melhorias no que diz respeito a estrutura adequada para receber pessoas com Necessidades de Educação Especial, como suporte para todo trabalho desenvolvido com os alunos, de maneira a acolhe-los com mais segurança , recursos e disponibilidade de um professor e um monitor para auxiliar na lida com os alunos. Hoje a minha sobrinha está passando por um momento de recusa a ida à escola, pois tem uma colega que devido as suas necessidades especiais, belisca e agride a todo o momento os colegas. Este assunto é amplo e delicado, pois envolve alunos com necessidades especiais diferenciadas também entre si, e isso é extremamente complicado de lidar, já que não pode e não deve ter discriminação, então tem que estudar uma maneira de contornar com sutileza o impasse, sem com isso machucar todos os envolvidos (...)
A professora dela com muita dedicação e poucos recursos consegue driblar com dinamismo e profissionalismo as “diferenças” de cada um, fazendo com que os alunos interajam com harmonia e sabedoria, porque se depender de recursos de material didático e recursos humanos que possam nos dar suporte incondicional será muito difícil cumprir com nosso dever de educadora e interesse em dar oportunidade do aluno ser incluso realmente! Em casa a menina de dezessete anos se mostra alegre e integrada totalmente a família e conhecidos. Conquista as pessoas com facilidade com seu sorriso largo e meigo. Está sempre de bem com a vida e muitas vezes faz a gente se esquecer de nossos próprios problemas. É muito carismática e simpática, vive com uma colherinha na mão, esfregando na boca. Quando perde esta colher nos deixa estressados, pois exige aquela colher,não aceita outra no lugar, reconhece a mesma pelo tato, ninguém a engana. Esta sempre está atente a tudo ao seu redor, nada lhe passa despercebido! É uma benção de Deus para nossa família!
Mas por enquanto a opinião de minha irmã é: “as crianças devem estar em uma escola especial como a APAI e não em uma escola de ensino regular”, sendo esta outra história (...)
Fonte: Concepção de Alfabetização no Rnsino Regular, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos. Ana Carolina Rosa Limeira – Apostila Magistéro
UNIDADE 2
Trabalho em uma escola estadual, localizada na área da microrregião de Porto Alegre, inserida na periferia urbana do município de Gravataí, RS. A escola atende uma clientela de, aproximadamente, mil e duzentos alunos, do Ensino Fundamental de nove anos ao terceiro ano do Ensino Médio, de nível sócio econômico baixo. E um quadro docente de 52 professores e doze funcionários.
Existem alguns alunos de inclusão na escola. alguns com laudo e outros tantos sem qualquer tipo de documento ou diagnóstico que comprovem tais dificuldades, porém o comportamento aponta para alguma dificuldade. O equivalente a nove inclusões com necessidades educacionais especiais. Um aluno com Síndrome de Down no 2º ano de nove anos, que apresenta déficit de atenção (com laudo), com acompanhamento médico e atendimento da escola Cebolinha. Um aluno sem laudo médico, mas com características evidentes de surdez e mudez. Uma aluna com laudo médico, com idade mental não compatível com sua idade cronológica real. Esta menina estuda em turno inverso com acompanhamento de profissional especializado fora das dependências da escola, em tratamento com fonoaudióloga etc. Em outra turma há uma menina que não possui laudo médico, e os pais não se interessam muito pelo processo de aprendizagem da mesma. Os pais buscaram tratamento psicológico para a mesma o ano passado, mas não deram continuidade ao tratamento.
A LEI Nº 9394/96 – LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL - 1996
CAPITULO V
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL diz o seguinte:
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de
educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para
educandos portadores de necessidades especiais.
§1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para
atender as peculiaridades da clientela de educação especial.
§2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados,
sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua
integração nas classes comuns do ensino regular.
§3º A oferta da educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa
etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.
Art. 59 . Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais:
I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para
atender às suas necessidades;
POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
O Decreto nº 5.626/05, que regulamenta a Lei nº 10.436/2002, visando a inclusão dos alunos surdos, dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular, a formação e a certificação de professor, instrutor e tradutor/intérprete de Libras, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular.
As leis que determinam a inclusão em escolas regulares estão sendo cumprida, ou seja, já está acontecendo, mas o amparo por parte da mantenedora em recursos adequados não! Sabemos que não basta apenas a lei para que seja incluído o aluno com necessidades especiais. É necessária além da conscientização, uma mudança de mentalidade, aceitação e recursos adequados para que isso de fato aconteça de verdade. Como já é do conhecimento de todos as escolas não estão recebendo suporte adequado aos professores para lidar com esses alunos “diferentes”. Os professores desesperados e com uma turma de outros alunos para “dar conta”, estão em conflito, pois não conseguem lidar com as características pessoais dos alunos de inclusão que exigem um atendimento mais individualizado, sem com isso excluí-los do grupo. Enquanto isso fica prejudicados, alunos de inclusão, alunos “normais” e professor regente da classe. Esta realidade exige um olhar urgente, e uma tomada de decisão na solução dessa dificuldade, por parte das autoridades competentes e responsáveis pelo assunto. O atual contexto não condiz com a lei em vigor e suas exigências. Esperamos que a situação mude para melhor em todos os sentidos da Lei Federal e LDB no que diz respeito ao aluno PNEE.
É tempo de reflexão e ação inclusiva
É tempo de discussão e solução imediata a ansiedade de familiares, professores, e todos envolvidos com os PNEE...
“... o benefício da inclusão não é apenas para crianças com deficiência, é
efetivamente para toda a comunidade, porque o ambiente escolar sofre
um impacto no sentido da cidadania, da diversidade e do aprendizado.”
(HADDAD, 2008).
REFERÊNCIAS
LEI nº 9394/96 - LDBN – item relativo à Educação Especial1996
POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
HADDAD, Fernando. Inclusão. Brasília: SEESP, 2005
UNIDADE TRÊS, QUATRO E CINCO
Serviços de Atendimento Educacional Especializado do município de Gravataí:
CAEPSY – Centro de Atendimento e Estudos em Psicologia
Atendimento psicológico, oferecendo diversos serviços: psicoterapia, orientação vocacional, psiquiatria, psicopedagogia e fonoaudiólogia.
Inclusão de Pessoas com deficiência – O CAEPSY participa de todo o processo de inclusão, desenvolvendo um programa específico de preparação da equipe para receber e conviver com os novos colegas.
http://www.caepsy.com.br/
CEACAF - Centro de Atenção à Criança, ao Adolescente e à Família
Atendimento psicológico individual e em grupos e visita domiciliar. Sendo este é o que mais a escola que trabalho faz encaminhamentos.
Telefones para contato: 3488 53 72 / 3488 94 90
EMEES- Escola Municipal de Educação Especial para Surdos
Atende alunos com deficiência auditiva.
Escola Municipal de Educação Especial Cebolinha
Atende crianças recém nascidas e adolescentes com:
*Deficiência Mental,
*Deficiência Física,
*Deficiência Auditiva,
*Baixa Visão,
*Deficiência Múltipla, Paralisia Cerebral e Condutas Típicas.
OBS: O Serviço de Atendimento Educacional Especializado do município de Gravataí em que a orientadora escolar encaminha os casos para analises é o CEACAF. O espaço de tempo da marcação da consulta e atendimento é muito grande. Quem tem melhor condições financeiras procura atendimento particular.
ESTUDO DE CASO
Elisandra Otto (fictício), nascida em 03/07/2000, filha de Lucia de Figueira e Jérson do Calmo, reside com seus pais e uma irmã, nas proximidades da escola.
Apresentei os primeiros passos do “estudo de caso” aos pais da menina que “escolhi”para entrevista. Solicitei a autorização e colaboração de ambos na realização do trabalho. A mãe prontamente se manifestou favorável a participar efetivamente da pesquisa e colocou-se a disposição à tudo que se relacione a pesquisa sobre o “Estudo de Caso”da filha com deficiência. Aluna do 2º ano/09, da minha colega do Ensino Fundamental, “Marina” ( fictício), da escola que trabalho.
A gestação de Lucia, mãe de Elisandra foi normal, fez todos os exames de rotina que deveriam ser feitos. Teve o acompanhamento até o dia do parto marcou cesárea por achar mais cômodo, pois já tinha passado por outra experiência com o parto anterior de sua filha mais velha o qual já havia conseguido ganhar com parto normal, então resolveu fazer cesárea. Não foi constado nada de anormal em sua gestação.
A mãe relatou que quando a Eliandra tinha apenas 1 ano e 3 meses foi quando começaram a investigar sua situação. “Eu já tinha percebido que tinha algo diferente com ela, mas estava esperando o tempo dela, afinal toda criança tem o seu, não ficava firme, não engatinhava e aquilo me preocupava, pois já tinha outra filha e era tudo diferente”, relatou a mãe.
Foi então que resolveram levá-la ao médico, e iniciaram uma longa rotina de consultas e exames, mas ao mesmo tempo agradecia a Deus por ter plano de saúde podendo fazer todos os exames necessários muito bem, todos os exames solicitados, até mesmo os que foram feitos nos EUA, mas nada era diagnosticado. Neste momento os médicos solicitaram um teste com uma Dra especialista nestes casos, chamado Teste Psicodiagnóstico. Passado 4 anos de investigações quando descobriram que Elisandra era portadora de uma deficiência mental.
Começava, mais uma etapa, ou seja, acompanhamentos especializados para quem tinha esta dificuldade. Começou então um tratamento psiquiátrico para usar alguns medicamentos especiais, acompanhamento com fisioterapeutas, fonoaudióloga, psicopedagoga, psicomotricista e tudo que poderiam fazer para estimular o seu desenvolvimento mental e físico. “Muitas vitórias alcançamos sendo um passo de cada vez, mas um presente a cada dia”!
“Assim hoje Elisandra com 8 anos e 10 meses, pode realizar coisas que não tinha condições de fazer antes, graças a Deus”.
Elisandra é natural de Gravataí, vive com os pais e uma irmã. É rodeada de atenção e carinho. Apresenta medo de insetos como: formigas, borboletas etc. Quando contrariada reage mostrando-se chateada. Brinca mais com a irmã e com amigos que tem na outra escola que frequenta no turno inverso.. A mãe trabalha como Massoterapeuta em sua própria residência. Procurou não trabalhar fora de casa justamente para poder acompanhar de perto “os passos” de Elisandra. Sendo o relacionamento geral da família de muita harmonia. A mãe geralmente a busca na escola, sendo que a irmã estuda no mesmo turno e ajuda a repará-la. A mãe diz que não mede esforços em busca de atendimento para o desenvolvimento cognitivo de qualidade a Elisandra.
Elisandra tem acompanhamento mensal com psiquiatra, toma duas medicações risperidona e ritalina, faz fisioterapia, fonoaudióloga e psicopedagogo, psicomotrocista, balet e canta em um coral. Faz revisões a cada seis meses com neurologista e geneticista e novos exames são feitos. Este mês os pais começarão novas investigações (exames) que será realizado na “‘USP” São Paulo. A mãe comenta: “Elisandra é amada, carinhosa e tem um convívio muito bom com as pessoas em seu entorno, algumas vezes fica irritada mas não é agressiva”!
· Caminhou com 1 ano e 8 meses
· Falou com 2 anos e 3 meses
· Toma medicação controlada
· Portadora de CID 10 F:71 e CID 10 F: 90
Quando Emanuelli completou 1 ano e três meses de seu nascimento por perceberem que algo estava diferente com ela os pais começaram a investigação propriamente dita.(o que eu já havia descrito anteriormente). Os resultados dos exames neurológicos e genéticos davam na sua maioria normal, apenas alguns apareciam algumas alterações e fazia novos exames até chegar ao resultado final, que foram feitos através de uma equipe de psicólogos, psiquiatras e terapeutas do desenvolvimento. Este ano vão realizar um novo exame. Os geneticistas irão investigar uma síndrome na familia que ocorre de geração em geração desenvolvendo quadros depressivos e problemas psicológicos. Este exame será realizado em São Paulo na USP. Nas últimas consultas que fizeram a psiquiatra, pensaram na possibilidade de investigar a Dislexia, e que os pais já estão estudando sobre o assunto.
Em relação aos diagnósticos Cid 10 F:71 e F:90 significa que:
- Deficiência mental moderada e
- Distúrbio mental leve.
Algumas características:
· Imaturidade psicomotora evidente nos primeiros anos;
· Comportamento variável, ora dócil, ora turbulento;
· Fala e linguagem comprometida, se expressa através de frases simples, linguagem empobrecida e às vezes mal articuladas.
· Expressa-se através de símbolos gráficos de forma rudimentar (letras ou palavras isoladas com erros na estruturação;
· Perseveração no grafismo;
· Falhas importantes de atenção;
· Fluxo lento de ideias, pobreza de associações;
· Não obstrui, na sintetiza;
· Erros perceptivos;
· Falhas na coordenção;
· Dependência para algumas atividades de vida prática.
Elisandra iniciou na escola em 2007 no extinto Pré- escola, pois desde o ano passado foi colocado em prática a lei do ensino de 9 anos.
A mãe está sempre presente na escola acompanhando de perto o andamento do processo de aprendizagem da filha, muito compreensiva e dedicada. Há uma interação constante entre mãe e professora, em busca de alternativas e soluções para auxilio no processo de construção de aprendizagem de Elisandra. Segundo a professora, Elisandra corresponde lentamente aos objetivos propostos de acordo com suas possibilidades de aprendizagem. Muitos trabalhos são aplicados de maneira diferenciadas dos demais alunos da sala, por se tratar de uma criança que não corresponde aos estímulos oferecidos através de atividades diversificadas como jogo da memória, recorte de revistas velhas com objetivos definidos, contar atividades realizadas em casa etc. Consegue pintar não respeitando muito os limites, distingui cores como o amarelo, azul, vermelho (...) Demora para assimilar qualquer tipo de exigência de conhecimento. Demonstra evidencias em suas dificuldades: deslocamento, interação com colegas, participação em atividades simples como usar a tesoura de maneira correta, ou seja, não corta papel ou qualquer outro material respeitando limites, não “obedece” limites de saber a sua vez e quando pode interferir nos trabalhos dos colegas, não sabe a hora de parar ou continuar qualquer ação, corre na hora do recreio sem direção certa, sem saber para onde ir (...).
Conversei com a professora de Elisandra e ela fez a seguinte colocação: “durante o tempo que está comigo pouco apresentou progresso em sua aprendizagem. A lei está aí para ser cumprida, mas não estamos preparadas para lidar com PNEE e os demais alunos que nos solicitam a todo o momento, nos cobrando atenção também. O que acontece, ficamos como a faca de dois gumes, não sei o que fazer no meio de tantos alunos “normais” e alunos com PNEE e que precisam de nossa atenção e respeito tanto quanto todos os outros. A situação é delicada, de muita reflexão, precisamos atitudes de solução urgentes, porque eles estão aí e precisamos acolhe-los com segurança, respeito pelas suas limitações, sabedoria e muito carinho”(...)
A mãe de Elisandra se mostra preocupada assim como a escola e professora da classe em encontrar alternativas para o desenvolvimento de suas habilidades, mesmo com poucos recursos oferecidos pela escola.
Destaquei um trecho da indicação da Dra. Sandra S. M. (médica Psiquiatra) em seu laudo refeindo- se a Elisandra na idade de 5 anos:
“... é fundamental que seja oferecido suporte à família, visando à orientação adequada e conforme a necessidade de cada momento evolutivo de Elisandra, independente de sua idade cronológica. Sugere-se também, a inclusão em escola que atenda a essa necessidade.”
Muito bem! E agora? Como fica o professor que espera que a lei seja cumprida, ou seja, que a instituição escolar venha ao encontro da expectativa de um ensino de inclusão na verdadeira essência da palavra, o suporte esperado pelos pais, educadores, familiares e médico que também sugere que a escola ofereça um conhecimento de qualidade e digno aos deficiêntes.
Nossa escola está se encaminhando a cada dia em busca de alternativas para fazer cumprir a lei com um ensino de qualidade sem ter a pretensão de alfabetizar Elisandra, ou solucionar qualquer outro caso de inclusão, mas sim de respeitar e valorizar o potencial dos deficiêntes de acordo com suas limitações. A escola deseja alcançar objetivos de caráter funcional e prático desenvolvendo entre outras coisas a consciência de si, posicionamento diante do outro, cuidados pessoais e da vida diária, conhecimento do meio social; exercício da autonomia; habilidades artísticas, manuais e práticas esportivas.
“Até uma viagem de 1000 milhas começa com o primeiro passo.”
(Provérbio Árabe)
Unidade 6
O relacionamento com professora, funcionários, colegas e outras pessoas de seu convívio diário é extremamente dócil e carinhosa. Demonstra muito respeito e ternura através de suas atitudes e movimentos. Está aprendendo de acordo com suas limitações. Há uma preocupação por parte dos pais e professora em oferecer um ensino na medida do possível de qualidade, mesmo que isso muitas vezes não seja possível por falta de recursos e suporte de pessoas especializadas que poderiam auxiliar em tantos outros seguimentos para atingir a essência do termo “Inclusão”. Mesmo assim a professora se desdobra em proporcionar trabalhos que venham ao encontro de suas habilidades e aptidões. Com recursos disponíveis, empenha-se em adaptar e jogos e tipos de atividades diversificadas considerando e valorizando suas habilidades, no exercício da autonomia.
Há um grande movimento da família no processo de inclusão escolar da filha. A mãe principalmente procura interagir com a professora e escola. Procura informações a respeito da deficiência mental, está sempre atenta a tudo e a todos. Faz muita leitura com a intenção de se interar cada vez mais sobre o problema da filha. Não cruzas os braços diante da situação, pelo contrário, mesmo com situação financeira razoável, não mede esforços na procura incessante de recursos de toda natureza, seja, de ordem pessoal, escolar, familiar, social, exames na intenção de apurar as causas e providenciar soluções para o caso de sua filha. Atualmente está pensando seriamente em cursar magistério (educação) para poder acompanhar o andamento do processo de aprendizagem da filha como de outros casos, de perto! A própria mãe informa a escola sobre possíveis palestrantes que possam auxiliar no entendimento mais fundamentado sobre a inclusão. Se for preciso a mãe se dispõe em debater o assunto em busca de subsídios favorecendo os deficientes em geral, com as mães que também possuem filhos na escola com deficiência. Faz movimentos envolvendo e tentando conscientizar as outras mães da necessidade dos pais presentes na vida dos filhos. Em um desabafo a mãe de Emanuelli me disse: “Eu acredito que minha filha tenha uma graduação um dia, como a outra filha “normal” que tenho, que tenha uma profissão e que caminhe com suas próprias pernas, ela tem habilidades para isso, SIM!”. “Fico chateada quando falo com outras mães e elas me dizem que nós vamos criar nossos filhos pra nós, fico indignada!” (...)
“A presença de alunos PNEE na escola regular pressupõe uma escola aberta, que responda às necessidades concretas de todos os alunos que chegam ao ambiente escolar com diferentes interesses, motivações e habilidades. Nesse sentido, as interações estabelecidas precisam estar cada vez mais próximas e integradas ao conhecimento do aluno e aos desafios que o contexto lhe propõe, a fim de que ambientes de construção de aprendizagens sejam oportunizando, instigando e possibilitando o pensar. Assim, pensar a inclusão exige uma mudança de postura ao processo de ensino e de aprendizagem diante das necessidades especiais dos alunos".
Fonte: Alfredo Fierro, Os alunos com deficiência mental
Adultos co Síndrome de Down: ADeficiência mental como produção social, Carneiro Cardoso Sylvia Maria.
Concurso Magistério, A escola e seu papel .
Considerações Finais
O que aprendi durante este semestre a partir de todas as leituras, vídeos, construção do dossiê e, além disso, com o convívio direto em casa com uma menina com deficiência, e com crianças deficientes no ambiente escolar, meu olhar ficou bem mais “apurado” em relação aos portadores de deficiência. Portanto posso afirmar que tenho uma visão bastante atenta sobre inclusão, vamos dizer assim... Fica muito claro pra mim que o aluno com deficiência está a cada dia conquistando mais seu espaço nas escolas regulares. Além da implantação da nova política de inclusão, que, no Brasil, vem amparada pela Constituição Brasileira (Brasil, 1988), e por documentos internacionais importantes, como a Conferência Mundial de Educação para Todos, a Declaração de Salamanca (1994) e a própria lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional LDBEN (Brasil, 199), há a necessidade de serem amparados no contexto escolar de fato, ou seja, colocar em prática o que determina as leis de inclusão. Enfim, o ensino inclusivo educacional de fato se dará a partir do momento em que o sistema educacional articular leis e prática pedagógica, independente do tipo de comprometimento do aluno incluso, seja ele de ordem emocional, física, intelectual ou outros. O que se espera é uma capacitação dos professores e suporte na inovação das condições atuais das instituições escolares para receber o aluno que já está nas escolas regulares com entusiasmo e esperança. Hoje a escola deve se adequar ao aluno com deficiência e não o aluno a ela. Agora a performance é outra, escola e professor transformadores tem que valorizar e desenvolver as habilidades do aluno com deficiência. Hoje a educação tem que reavaliar e refletir muito suas práticas pedagógicas. Assim com certeza a inclusão se efetivará na verdadeira essência da palavra.
“Em suma, a inclusão deve nos levar à inclusão de que a proposta maior da educação é a constituição de uma sociedade mais igualitária, mais solidária e, portanto, comprometida com o seu propósito mais significativo: humanizar.” (Fundamentos da Educação Especial, p, 167)
Referências:
7 pedagogia, Fundamentos da Educação Especial, Adriana Cristine
e Dias Locatelli e Edilaine Vagula
Aluna:
Ione Fernandes
Comments (7)
fernanda.pead@... said
at 11:21 am on Apr 22, 2009
Ione, quantas tentativas de inclusão e de atendimento às necessidades educativas especiais são realizadas para que se chegue àquilo que é melhor para o aluno de educação especial? Vivencias isto de uma maneira bem próxima com a tua sobrinha, acompanhando seus progressos, assim como dificuldades nas instituições freqüentadas e na interação com demais colegas. Já tiveste alguma experiência em sala de aula, na escola? Como foi? Procure relatá-la.
Na sequência do dossiê, referente à unidade dois, não ficou claro para mim quais são os nove alunos da educação especial da escola que relatas. Parece que descrevestes apenas quatro. Como é o atendimento da Escola Cebolinha? Destacas alguns aspectos legais dos textos lidos e realizas um comentário contundente que nos mostra que temos ainda muito por fazer. Pergunto-te: como, diante do contexto que descreves, o professor pode ir trabalhando com a inclusão e alunos da educação especial? Abraços, Fernanda.
ione said
at 10:48 am on Apr 25, 2009
Diante do contexto que descrevo, o professor pode ir trabalhando com a inclusão da educação especial realizando um trabalho diversificado, ou seja, um trabalho "diferenciado" dos demais colegas do aluno de inclusão, na medida do possível, usufruindo de recursos (mínimos) como jogos da memória, quebra cabeça com peças simples, pintura também com limites simples(..). Contamos também com a interação dos próprios colegas da sala de aula no auxilio com a apradizagem do mesmo, ou mesmos. Na escola que trabalho está se promovendo encontros para tratarmos entre outros tantos assuntos, o da INCLUSÃO, para juntos tentar caminhos, passos para alcançar um processo de apredizagem de sucesso com os PNEE. É um trabalho com certeza árduo, mas não impossível!...
fernanda.pead@... said
at 10:16 am on Apr 29, 2009
Realmente, Ione, não é impossível e tens tido esta experiência. Os questionamentos lançados no comentário não precisam ser respondidos aqui, mas, como sugestão, mostram direcionamentos para a tua reflexão assim como dados que podes acrescentar.
Já podes dar sequência ao dossiê com a atividade da unidade 3.
Grande abraço,
Fernanda
fernanda.pead@... said
at 12:00 am on May 14, 2009
Boa noite, Ione!
É possível perceber seu envolvimento com o estudo de caso!
Seguem algumas sugestões e reflexões para você dar seguimento ao dossiê. No início da apresentação da atividade da Unidade 3, você poderia escrever um parágrafo introdutório para contextualizar o leitor sobre a apresentação dos serviços especializados e, ao final, fazer um comentário sobre os serviços apresentados. Sobre o estudo de caso, o seu relato está bem organizado, apresentando inicialmente a história de vida da menina e, em seguida, sua história escolar. Para facilitar a compreensão do leitor sobre a apresentação dos dados, quando você escreve a fala da mãe, entre aspas, pode acrescentar após a citação: relatou a mãe. Não ficou claro quando você escreveu: “de acordo com suas limitações de dificuldades de aprendizagem”. Talvez quisesse dizer: “de acordo com suas possibilidades de aprendizagem”, seria este o sentido da frase? Seria importante clarear ao leitor também este início de frase: “Demonstra evidencias em suas dificuldades: deslocamento”.
Seu estudo de caso está bem encaminhado!
Abraços,
Fernanda
fernanda.pead@... said
at 7:56 pm on May 14, 2009
Complementando, a idéia de portabilidade de uma deficiência esta em desuso, estamos usando, desde a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva o termo pessoa com deficiência. É importante que revejas esta nomenclatura no teu texto.
Um abraço,
Fernanda
fernanda.pead@... said
at 6:03 pm on Jun 5, 2009
Boa noite, Ione!
Gostei muito da apresentação de seu estudo de caso. Alguns questionamentos: por que ela faz uso de medicação? Como foi a gestação e o parto? Quais os resultados das avaliações com neurologista e com geneticista? Diz que ela é portadora de dois diagnósticos: CID 10 F:71 e F:90. O que são? Estes, ao meu ver, são dados importantes para a exploração e complementação de seu estudo de caso. As informações que apresentas no estudo de caso, na verdade, correspondem as unidades 3, parte B, 4 e 5, sendo necessário revisar.
Abraços,
Fernanda
fernanda.pead@... said
at 9:00 pm on Jul 12, 2009
Olá, Ione!
Pessoas como a mãe de Emanuelli, que tenta sensibilizar outros pais para a questão das necessidades especiais, nos tocam profundamente. Os esforços para as aprendizagens dela estão consolidados numa parceria entre família e escola que parece estar funcionando muito bem. Seu Estudo de Caso denota o envolvimento com a interdisciplina ao longo do semestre. Na reflexão final, você articula sua vivência à teoria e apresenta conclusões que destacam a necessidade da aplicação das leis e a reformulação das práticas pedagógicas. Recomendo atenção na forma como tens escrito as referências bibliográficas e as citações, pois da forma como estão apresentadas não está claro para o leitor qual o título do livro e faltam dados, como a editora e o ano de publicação. Parabéns pelo seu trabalho!
Grande abraço,
Fernanda
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